HISTÓRIA DA CAPOEIRA

A Capoeira é uma aprendizado constante, pois a todo momento surgem novas técnicas, mas o bom capoeira sempre preserva a origem ensinada por MESTRE PASTINHA criador da ANGOLA e MESTRE BIMBA criador da REGIONAL.

Abaixo descreveremos um breve resumo sobre os fundamentos da CAPOEIRA. AXÉ A TODOS.

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CAPOEIRA ANGOLA

Na Capoeira de Angola existem três tipos de berimbaus: o Gunga (grave), o Médio e o Viola (agudo), sendo que cada um deles é diferenciado pelo tamanho da cabaça. Junto aos berimbaus é colocado o pandeiro, o atabaque, e, em algumas academias o agogô e o reco-reco ajudam na harmonia dos sons.

Ao iniciar o jogo de angola é cantado uma ladaínha pelo mestre presente na roda, ou por um dos capoeiristas que estão no pé do berimbau, após a ladainha é cantado o canto de ligação, e os dois capoeiristas aguardam atentamente, só no canto corrido que eles estão liberados para iniciar o jogo. É importante falar que na Angola não se canta ladainha no meio das quadras ou corridos, mas, pode ser cantada uma em seguida da outra, se o ritmo parar, torna-se obrigatórios recomeçar com outra ladainha. Em academias tradicionais de Angola, quando uma dupla termina o seu jogo, automaticamente o som pára, os outros dois capoeiristas se preparam para jogar, iniciando com outra ladainha, e assim sucessivamente.

Nesta capoeira não existe jogo de compra, só se entra na roda quando uma dupla termina o jogo, ou através do berimbau, que os chamam com algumas batidas tradicionais no instrumento, dando o fim ao jogo. Sempre se começa e termina o jogo no pé do berimbau.

O jogo de Angola é realizado sem pressa para o término, pode ser jogado tanto embaixo, como em cima, o importante é ter pelo menos um dos apoios no solo, procurando enganar, ludibriar o adversário, tornando-se assim, um jogo de reflexo e muita malícia.

MESTRE PASTINHA

Mestre Pastinha, mestre da capoeira de angola e da cordialidade baiana, ser de alta civilização, homem do povo com toda sua picardia, é um dos seus ilustres, um de seus abás, de seus chefes. É o primeiro em sua arte, senhor da agilidade e da coragem, da lealdade e da convivência fraternal. Em sua escola, no Pelourinho, Mestre Pastinha constrói cultura brasileira, da mais real e da melhor. Toda vez que assisto esse homem, de 75 anos, a jogar capoeira, dançar samba, exibir sua arte com o clã de um adolescente, sinto a invencível força do povo da Bahia, sobrevivendo e construindo apesar da penúria infinita, da miséria, do abandono. Em si mesmo o povo encontra forças e produz sua grandeza. Símbolo e face deste povo é Mestre Pastinha”.
Jorge Amado

Vicente Ferreira Pastinha nasceu em Salvador em 05 de abril de 1889, filho do espanhol José Senor Pastinha e da negra Raimunda dos Santos. Iniciou-se na capoeira aos 10 anos chamado pelo preto Benedito, um escravo alforriado, para aprender a malícia e poder enfrentar um outro menino mais velho e mais forte do que ele que vivia lhe fazendo ameaças. Pastinha começou a freqüentar o canzuá do tio Benedito , e pouco tempo depois sairia considerado pronto pelo mestre e seguiria fortalecendo a fama de imbatível pelas ladeiras da cidade.

Tendo passado por várias profissões inclusive pela Marinha de Guerra, Pastinha sempre sentia o apelo mais forte da capoeira e em 1935, aos 46 anos, fundou sua primeira academia que funcionou por alguns anos num local conhecido na época como Bigode, próximo ao Pelourinho. Em 1941 mudou-se para o casarão nº19, no Pelourinho, criando o “Centro Esportivo Capoeira Angola”. Era lá que o Mestre ensinava capoeira e se apresentava para turistas do mundo inteiro.

Em 1964, lança um livro: ”Capoeira Angola” com orelha de seu amigo Jorge Amado.

Pastinha apresentou-se com seu grupo em vários estados do Brasil e fez parte da delegação brasileira que representou o Brasil no 1º festival de artes negras em Dakar na África realizado em abril de 1966.

Já famoso no Brasil e no exterior, em 1973, aos 84 anos, Pastinha foi despejado de sua academia pela Fundação do Patrimônio, sendo seu espaço transformado em restaurante.

Esta expropriação foi um grande golpe sofrido pelo Mestre. Sua mulher, Maria Romélia Costa Oliveira, a D.Nice, foi quem cuidou de Pastinha até o fim ganhando o sustento do casal com um tabuleiro de acarajés.

Alguns discípulos e amigos também o ajudaram como o escritor Jorge Amado, que conseguiu junto ao então prefeito de Salvador, assegurar uma pensão de 3 salários mínimos para Pastinha.

Pastinha sofreu o primeiro derrame em maio de 1978, e o segundo um mês depois. Transferido para o abrigo D.Pedro II, Pastinha morre em 13 de novembro de 1981.

 

CAPOEIRA REGIONAL

Na regional o jogo muda de figura, pois, Mestre Bimba, tirando os movimentos de outras lutas, e trazendo para a Capoeira, criar Luta Regional Baiana, com o intuito de tornar a Capoeira forte o bastante para ser comparada a outras Artes Marciais, com um sistema de ataque e defesa, e balões cinturados. O jogo da Capoeira Regional acaba tendo um certo contato, seus golpes são diretos visando o adversário, sendo um jogo mais técnico e ágil.

Em todo instante ocorre a compra de jogo, individualmente ou em duplas, podendo ser feito a compra através da volta ao mundo. Não é permitido fazer chamadas de bênçãos.

Possui um berimbau e dois pandeiros, e as ladainhas geralmente são curtas, mais ou menos de um tamanho de uma quadra.

MESTRE BIMBA

Manuel dos Reis Machado nasceu no dia 23 de novembro de 1900, no bairro Engenho Velho, Freguesia de Brotas, Salvador, Bahia.

O apelido ele ganhou logo ao nascer de uma aposta feita entre sua mãe, Maria Martinha do Bonfim e a parteira que o aparou.

Seu pai, Luís Cândido Machado, era conhecido como um grande batuqueiro, campeão de batuque.
Iniciou-se na capoeira aos 12 anos de idade, seu mestre foi o africano Bentinho, capitão da Companhia de Navegação Baiana.

Aos 18 anos começa a dar aulas no bairro onde nasceu. Como ele mesmo dizia:
“Em 1918 não havia escola de capoeira, havia sim rodas de capoeira, nas esquinas, nos armazéns e no meio do mato”.

Em 1928 achando que a capoeira que ele praticava e ensinava era pouco competitiva, e que deixava a desejar em termos de luta, juntou golpes de batuque à capoeira de angola e criou a capoeira regional.

“Fiz a capoeira regional. Enquanto estudava e praticava a de angola fui inventando e aperfeiçoando novos golpes”.
“Em 1928 eu criei, completa, a regional que é o batuque misturado com a angola, com mais golpes, uma verdadeira luta, boa para o corpo e para a mente.”

A capoeira regional criada por Mestre Bimba foi motivo de muita polêmica entre os outros capoeiristas que não concordavam com sua radical mudança. Por outro lado, os jornais e revistas da época não cansavam de noticiar suas proezas. A fama de Bimba e da capoeira regional se propaga pelo Brasil.

Em 1932, fundou sua primeira academia especializada com o nome de “Centro de Cultura Física e Regional”. Cinco anos depois, em 1937, era reconhecida e registrada oficialmente pelo governo. Em 1939, Bimba ensina capoeira regional no quartel do CPOR. Instalou sua segunda academia em 1942.

Bimba leva a capoeira em exibições por todo o país e em 23 de julho de 1953 apresenta-se para o então presidente Getúlio Vargas, no palácio da Aclamação em Salvador. Ao apertar-lhe a mão o Presidente disse:
“A capoeira é o único esporte verdadeiramente nacional.”

Foi depois desta apresentação que Getúlio Vargas liberou as manifestações populares até então perseguidas e, com isso, beneficiou a capoeira que deixou de ser proibida pela polícia.

Casado e pai de 10 filhos, Bimba enfrentava problemas financeiros. Assim, acreditando em promessas de maior reconhecimento e de uma vida melhor, Mestre Bimba deixa Salvador e parte para Goiânia.

Porém sua vida em Goiânia não foi como lhe haviam prometido. Um ano depois de deixar a Bahia, no dia 05 de fevereiro de 1974, morre Mestre Bimba.

“O homem que elevou a capoeira de status, que a tirou de baixo do pé do boi, como gostava de dizer, e a introduziu nos meios universitários e sociais de Salvador, que foi citado em enciclopédias e filmado por turistas do mundo todo.”

Sepultado em Goiânia, seus restos mortais foram transladados para Salvador em 20 de julho de 1978.

TOQUES DE CAPOEIRA

 

As variações musicais do berimbau são os vários toques executados pelo tocador para definir o tipo de jogo que será feito na roda. Um bom capoeirista deve, ou melhor, tem obrigação, saber o maior número de toques, bem como o significado e o tipo de jogo praticado em cada um desses toques.

Os toques mais conhecidos são:

- Angola                                    - São Bento Grande

- São Bento Pequeno                  - Angolinha

- Iúna                                       - Lamento

- Amazonas                               - Cavalaria

- Santa Maria                             - Benguela

- Idalina                                   - Maculelê

- Samba de Roda                       - Samba de Angola

- São Bento Grande de Bimba      - Samango

- Valsa                                     - Samba de Enredo

- São Bento Corrido                   - Choro

 

Para cada toque, um tipo de jogo:

Estes são os toques mais usados, cada um deles tem um siginificado. Vejamos:

 

1) TOQUE DE ANGOLA: É o toque específico do jogo de Angola. É um toque lento, cadenciado, bem batido no atabaque, tem um sentido triste. É feito para o jogo de dentro, jogo baixo, perigoso, rente ao chão, bem devagar.

2)ANGOLINHA: É uma variação pouco mais rápida do toque de angola, serve para aumentar o ritmo quando vai mudar o jogo.

3)SÃO BENTO PEQUENO: É o toque para jogo solto, ligeiro, ágil, jogo de exibição técnica. Também conhecida como ANGOLA INVERTIDA.

4)SÃO BENTO GRANDE: É o toque mais original da capoeira Regional. É muito usado em apresentações públicas, rodas de rua, batizados e outros eventos e também nas rodas técnicas das academias para testar o nível de agilidade dos alunos.

5)TOQUE DE IÚNA: É usado apenas para o jogo dos mestres. Neste toque, aluno é platéia, não joga nem bate palmas, jogam apenas os mestres e contra-mestres e algum instrutor, professor ou aluno graduado se, por ventura, seu mestre autorizar e lhe ce der a vez de jogar. No toque de Iúna não há canto.

6)LAMENTO: É o toque fúnebre da capoeira. Usado apenas em funerais de mestres.

7)AMAZONAS: É o toque festivo, usado para saudar mestres visitantes de outros lugares e seus respectivos alunos. É usado em batizados e encontros.

8)CAVALARIA: É o toque de alerta máximo ao capoeirista. É usado para avisar o perigo no jogo, a violência e a discórdia na roda. Na época da escravidão, era usada para avisar aos negros capoeiras da chegada do feitor e na República, quando a capoe ira foi proibida, os capoeiristas usavam a "cavalaria" para chegar da chegada da polícia montada, ou seja, da cavalaria.

9)SANTA MARIA: É o toque usado quando o jogador coloca a navalha no pé ou na mão. Inscita o jogo mas não incentiva a violência.

10)BENGUELA: É o mais lento toque de capoeira regional, usado para acalmar os ânimos dos jogadores quando o combate aperta.

11)MACULELÊ: É o toque usado para a "Dança do Maculelê", ou para o jogo do porrete, faca ou facão.

12)IDALINA: É um toque lento, mas de batida forte, que também é usado para o jogo de faca ou facão.

13)SÃO BENTO GRANDE DE BIMBA: Como o nome já diz, é o toque de Bimba, pois é um tipo de variação diferente que mestre Bimba criou em cima do toque original de São Bento Grande. É o hino da Capoeira Regional Baiana.

14)SAMBA DE RODA: É o toque original da roda de samba, geralmente feita depois da roda de capoeira, para descansar e descontrair o ambiente. É no Samba de Roda que o capoeira mostra que é bom de samba, bom de cintura e bom de olho em sua companhei ra.

Outros toques que não foram citados são toques mais usados para florear, enfeitar o jogo, dar andamento à roda, geralmente são usados em eventos e festas de capoeira para esticar a duração do jogo quando se preparam outras atrações durante o aconteciment o da roda.

É essencial a um bom capoeira que ele domine com perfeição todos os toques que conseguir e que pratique o ritmo dos três berimbaus ou seja, que ele toque o Gonga tão bem quanto o Médio e este tão bem quanto o Violinha.

BATIZADO

 

O batizado de capoeira representa o momento em que os indivíduos recebem a sua primeira graduação pelo grupo. Nesse dia eles deixam de ser pagãos, pois durante esse evento é costume entre os grupos dar um apelido ao capoeirista. O apelido é uma tradição desde os tempos que a capoeira era considerada uma arte marginal e os capoeiristas eram obrigados a usar codinomes para não ser identificado, mediante isto, serem presos pela polícia. O dia do batizado é um dia de grande importância para os capoeiristas, posto que, nesse dia realiza-se uma festa em que os novos capoeiras são apresentados a comunidade capoeiristica, joga com outras pessoas e desfrutam da oportunidade de até conhecerem os mestres mais antigos. Itapoan, Ex-aluno retrata o Batizado da seguinte maneira: "O Batizado consistia em colocar em cada calouro um "Nome de Guerra": o tipo físico, o bairro onde morava, a profissão, o modo de se vestir, atitudes, um dom artístico qualquer, serviam de subsídios para o apelido". Fred Abreu referindo-se ao batizado, cita que na intimidade da Academia de Mestre Bimba ele assim se dizia "Você hoje vai entrar no aço". Desta maneira o Mestre avisava ao calouro que chegou a hora do seu batizado, era um momento de grande emoção, pois tratava-se de jogar capoeira pela primeira vez na roda amimada pelo berimbau. Para este jogo era escolhido um formado ou um aluno mais velho da Academia que estivesse na aula, que como padrinho incentivava ao afilhado a jogar ( soltar o jogo ), e após o jogo o Mestre no centro da roda levantava a mão do aluno e então era dado um apelido "Nome de Guerra" com o qual passaria a ser conhecido na capoeira.

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